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por vezes questiono-me de onde surgirá o sucesso de tantas páginas nas redes sociais sobre parentalidade e educação. pergunto-me o porquê de termos como best-sellers tantos livros focados na infância, na disciplina, nas dicas e regras para a felicidade na parentalidade... o que andamos verdadeiramente à procura, afinal?

há já algum tempo que ando a pensar na experiência de infância que estamos a criar para as nossas crianças e, há já algum tempo, que vou sentindo que os produtos infantis estão cada vez mais direcionados para as necessidades dos adultos. com isto refiro-me aos brinquedos, mas também aos filmes, desenhos animados e livros infantis...

o que será que acontece se olharmos para dentro das nossas crianças pequenas e tentarmos perceber o que está a falhar na realidade para o virtual ser tão aliciante? claro que todos os aspetos que tornam estes dispositivos viciantes e atraentes pertencem ao domínio do real, mas não será aquilo que o acontece dentro das nossas crianças que as leva...

se nos atrevemos a olhar para fora das crianças mas para dentro de nós, adultos, podemos pensar sobre a nossa necessidade crescente de apresentar estes aparelhos às nossas crianças - e isso sabemos que poderá ser demasiado intenso e agitar demasiado as águas da nossa estabilidade mental, inundar-nos de culpa… mas se queremos verdadeiramente pensar...

o debate em torno dos telemóveis e dos ecrãs tem vindo a amplificar-se. talvez tenhamos finalmente aceite que as tecnologias vieram para ficar e vão fazer parte da nossa vida e do desenvolvimento das nossas crianças. por isso, discute-se as idades ideais para apresentar, horários e tempos para assistir e todo o tipo de recomendações para guiar os...

não posso deixar de notar padrões quando os observo e há um que tem sobressaído muito na minha prática clínica. são muitos os pais que me procuram queixando-se do quão "insolentes" sentem as suas crianças. reclamam de todas as vezes que têm de lhes dizer para não mexerem nos fios ao pé da televisão ou para pararem de bater no...

conversava há uns dias com uma técnica, que trabalha a parentalidade, sobre este tema. falávamos da facilidade com que julgamos e rotulamos os comportamentos das crianças, da facilidade com que lhes impomos uma conotação negativa, de mau comportamento, de má educação, de desafio até. acredito que ficamos presos com esta interrogação na nossa cabeça...

falamos de braços e abraços constantemente e recomendamos com a facilidade como quem recomenda um ibuprofeno para a dor de cabeça e, talvez, tal como com a medicação, nem saibamos bem por que o fazemos, apenas que resulta. sentimos na pele a forma como os abraços nos acalmam o coração. sentimos na pele a forma como os braços...

marcia arnaud | psicóloga clínica | 2025 | Todos os direitos reservados
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